UM JUIZADO TRANSCENDENTE

UM JUIZADO TRANSCENDENTE



Faz pouco tempo ouvi de um amigo que exerce o cargo de Conciliador em um certo Juizado Especial Cível, o curioso relato que aqui trago resumidamente, pedindo desculpas pelas imprecisões de que possa estar impregnado.

Narrou-me ele que, certo dia deste primeiro semestre de 2007, ao dirigir uma audiência de conciliação, deparou-se com uma das partes, um homem já maduro, que se negava a prosseguir com os trabalhos enquanto, segundo ele, permanecesse no recinto, sentado em uma das cadeiras da mesa de audiências que, visivelmente, estava desocupada, um certo “exu” enviado por sua sogra com propósitos menores.

Embora pasmo, diante daquele quadro, esse meu amigo, de inteligência e habilidade inegáveis, portador de características conciliadoras muito apropriadas à função que desempenha, prometeu àquele homem que adotaria uma providencia imediata e, incontinente, convocou um segurança à Sala de Audiências e, sinalizando de modo a que ele não se espantasse, determinou a retirada do recinto, daquele ser invisível que ali, naquela cadeira, supostamente, se encontrava.

O segurança, por seu turno, também não titubeou e convidou aquele ente a acompanhá-lo para fora da sala, no que, ao que pareceu, logrou êxito, pois, após essa diligência, os trabalhos puderam continuar.

Pois bem...! Rebuscando, então, as minhas reminiscências, pude positivar que esse Juizado é, em verdade, um Juizado transcendente, posto que a ele comparecem entes cujas personalidades transcendem a dos míseros mortais como nós.

È que, me lembrei de um fato, ocorrido nesse mesno Juizado,  comprovável documentalmente, já que, para fins de manter no meu arquivo de curiosidades, extrai cópia do processo administrativo que o reportava ao então Presidente do Tribunal de Justiça, quando para mim foi despachado, na qualidade de chefe da Consultoria  da Presidência, nos idos de 2001.

O referido processo administrativo se iniciava com um Ofício da lavra da Juíza Titular desse Juizado, dirigido ao Presidente, nos seguintes termos:

*     *    *     *     *

               "Senhor Presidente

               Com o fim de dar conhecimento a Vossa Excelência, encaminho cópia da petição que foi acostada aos autos do processo acima epigrafado, pela parte ré.

               Tratava-se de ação na qual contenderam, como autor um Condomínio e como Réu um dos Condôminos, a quem a Sentença foi desfavorável."

*     *     *     *     *            

Esse Condômino, inconformado com o resultado, dirigiu a petição de que se fala à Juíza prolatora da sentença, demandando a sua revogação e, após aludir, em dois pequenos parágrafos, ao fato de se sentir  injustiçado, concluiu, em dois outros parágrafos, da seguinte forma:

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               Sou imortal, nasci a 6 bilhões de anos, venho do Universo vivo na velocidade da luz, sou filho de Venus com Júpiter e protegido por Saturno, Marte, Netuno e Plutão, solicito que revogue a sentença antes que a ira de Venus retire a venda da justiça, antes que o peso desta maldição caia sobre V. Exa., deixe que este meteorito se perca no buraco Negro das Trevas do Universo.

               Fui Adão, Tutakamon, Jesus, Miguel Angelo, Boticelli, da Vinci, Juan Miró, Vangog, Lenin, Karl Max, Frida Kallo, Tarcila Djamira, Di Cavalcanti, Danton, Marcel Duchump, Francis Bacon, Salvador Dali, Matisse, Rembrant, hoje sou Santo Antonio,

               Ogum
               Sou... (nome do signatário)

*     *     *     *     * 

Então..., Tenho ou não razões para acreditar que esse Juizado seja, efetivamente, transcendente ?