RECORDANDO LUZ
Gratas lembranças
de Alba, a quem presto, aqui, minhas mais efusivas homenagens, pela sua
verdade, sinceridade, afeto e amizade.
Iniciava-se
uma ensolarada tarde de sábado e, eu, tendo aceito o convite de uma amiga, para
conhecer uma certa senhora espiritualista, dotada de dons especiais, empreendi
pequena viagem até o local onde ela residia.
É
que, já havendo vivenciado algumas experiências extra-sensoriais, não costumava
rejeitar as oportunidades de obter mais conhecimentos e esclarecimentos que pudessem
elucidar as sensações que, então, experimentara. Não o fazia, no entanto,
através de pessoas interessadas em congregar adeptos para alguma entidade
religiosa. Meu interesse, em verdade, estava situado na esfera filosófico-experimental
e, no caso, a pessoa que iria conhecer
não se ligava a qualquer instituição
religiosa.
A
residência de Alba, assim se chamava ela, situava-se em meio a um horto de
plantas ornamentais, fora da cidade, às margens de uma rodovia de grande
movimento. La cheguei por volta das 15
horas e, tão logo lhe fui apresentado, fiquei curioso quando ela, após
cumprimentar-me com muita alegria, olhou, fixamente, para o meu lado direito,
onde ninguém se encontrava, sorriu e, depois, convidou-me a entrar. Segui-a até uma varanda
na parte posterior da casa, de onde descortinei um belíssimo horto com caminhos
que se cruzavam para, ao final, conduzirem a uma mansa lagoa de águas esverdeadas.
Num
impulso, pedi licença e passei a caminhar pelo horto, em meio às veredas ladeadas
por belos espécimes de plantas, alguns de um colorido encantador. Senti-me envolvido
por uma paz inefável e por uma energia tão prazerosa, que parecia capaz de afastar
de mim todos os meus problemas. Sentei-me, então, em um dos bancos de jardim
que ornamentavam aquele lugar e, ali, permaneci, por algum tempo, absorto, a
desfrutar de tudo.
Voltei
à varanda com uma sensação de estar rejuvenescido e sentei-me em uma poltrona situada em frente àquela
ocupada por Alba que, com muita calma e
firmeza, falou para mim: "Você
chegou aqui muito bem acompanhado". Supondo estar ela se referindo à
amiga que me acompanhava, manifestei-me
afirmativamente e com alegria. De pronto Alba retrucou, dizendo que não se
referia à minha amiga, mas sim, a uma mulher que estava ao meu lado desde quando eu ali chegara.
Continuando,
Alba descreveu essa mulher como sendo de meia idade, tez clara, esbelta, de
feição angelical, cabelo castanho escuro, trajando vestes longas e de um estilo
mais próprio da era colonial e que se deslocava contornada por uma luz clara e
resplandecente. Continuando, falou-me que essa mulher estava a dizer-lhe de sua
felicidade com o reencontro comigo, reencontro esse que não havia sido programado,
afirmando, outrossim, que já
havia sido minha mulher, em outras eras, por mais de uma vez e que, fatos marcantes haviam tonificado as
nossas vidas, que foram, sempre, coroadas por muito afeto.
Quedei
pasmo diante do que estava ouvindo e fui, então, tomado por uma sensação de grande
euforia, para a qual não havia explicação plausível que não se referisse àquele
reencontro e às lembranças de outras eras
que, embora delas não tivesse
consciência, envolviam a minha alma que,
essa sim, tudo percebia e sentia.
Foi
então que, intermediado por Alba, entabulei com aquela mulher um diálogo que me trouxe revelações
extraordinárias sobre nossas vidas pregressas, algumas chocantes outras de uma
beleza indescritível. Muito do que, então, por ela foi dito, se situou em foro tal que não me
permito aqui relatar, pois, certamente, no mínimo, pareceria irreal.
Ainda
que sob as fortes emoções de que estava preza, em paradoxos de euforia
e tristeza, admiração e saudade, ousei perguntar-lhe o seu nome e, também,
se me concederia outras oportunidades nas quais ela me narrasse a nossa
história, para que eu a escrevesse com o objetivo de publicá-la. À primeira pergunta, sobre o seu nome, se negou responder.
Quanto à segunda, sobre a nossa história, afirmou que essa já havia sido escrita e
publicada.
Diante
disso, quedamos todos silentes e ela,
reafirmando o afeto que a ligava a mim, se despediu e se afastou, deixando-me, por algum
tempo, sem norte e sem bússola.
Voltei
para casa, ainda sob forte emoção. Á
noite, quando todos já dormiam, sentindo
um súbito desejo de escrever algo que fixasse aquele evento, sentei-me diante
da minha escrivania e, nominando-a, ao meu talante, de LUZ, liberei o parco poeta que me invadia,
para expressar, nestes pequenos versos,
o que me acorria.
LUZ
Luz...!
Fulgurante luz
de um
sublime amor
que
transcendeu a vida
e que traz ,
hoje, de outra,
doces
unguentos
a mitigar-me
as dores
de tristes
momentos.
Vem Luz..!
Aproxima-te,
quero
sentir-te perto,
perceber-te,
falar-te e,
quiçá, por
divina vênia,
lograr
ouvir-te e até ver-te,
enquanto,
neste presente,
não posso,
de todo, ter-te.