A QUALIDADE DE LIDER

A QUALIDADE DE LÍDER

Em certo seminário sobre Liderança Executiva, do qual participei, muito se discutiu sobre as características dos líderes e sobre as qualidades necessárias ao exercício da liderança.

Alguns advogavam a inexistência de verdadeiros líderes que não tivessem qualidades natas, outros defendiam a possibilidade de serem elas adquiridas e, outros mais, com ponderação, procuravam aliar a necessidade de qualidades natas à outras que seriam adquiridas ou desenvolvidas  mediante ensino e treinamento dirigido.

Em dado momento da discussão, um dos debatedores se propôs a narrar, e narrou, um fato que, não só trouxe contribuição ao debate, ressaltando aspectos da personalidade dos líderes, como também, demonstrou algo induvidosamente relevante.

Demonstrou que a evidência que certas pessoas adquirem ou a liderança que possam exercer é, por vezes, fugaz e, sempre, dependente da conjuntura fática e da necessidade dos liderados em determinado momento.
                    Assim uma pessoa que, em certa situação esteja em evidência ou exerça liderança com grande eficácia, pode estar fadada, a qualquer momento, a decair da evidência ou perder a liderança, em ocorrendo modificação  na conjuntura fática, dando lugar ao surgimento de um novo evidente ou de um novo líder com características mais condizentes com à nova situação.

Mas..., vamos ao fato que foi narrado:
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Em um vôo Charter que se dirigia a uma colônia de férias viajava um punhado de jovens universitários, a maioria deles muito alegre,  irrequieta e, as vezes, até barulhenta, enquanto apenas uns três ou quatro  não se achavam  contagiados por aquela ruidosa inquietude.   

Após a decolagem, estabilização da aeronave e o cancelamento dos avisos de afivelar cintos, um dos jovens que ocupava uma poltrona na parte dianteira da nave, um rapaz alto, malhado, cabelos crescidos ao desalinho e camisa aberta ao peito, manejou um violão que portava e, sentando-se no braço da cadeira voltado para o corredor central, começou a dedilhar o instrumento e a cantar músicas bem contemporâneas e de sucesso.

De logo, quase todos os jovens passageiros se voltaram para ele, saíram dos seus lugares e se aproximaram para ouvi-lo, aplaudi-lo, cantar com ele e pedir que cantasse um ou outro sucesso em especial. O tempo de vôo se consumia sem que se sentisse. A alegria e a cantoria era geral, contagiava a todos exceto a um também jovem sentado em uma poltrona na parte traseira da aeronave que, aparentando certa fragilidade, de tez pálida, usando óculos de grau intenso, debruçava-se sobre um espesso livro que parecia absorver todas as suas atenções.

Tudo seguia esse curso quando, repentinamente, a aeronave despencou em um grande vácuo e iniciou um trajeto em meio a uma zona de alta turbulência. Acenderam-se os avisos de afivelar cintos. O pânico foi geral e se estabeleceu uma perigosa confusão entre todos aqueles que estavam fora dos seus lugares, que passaram a se atropelar com o objetivo de alcançar as suas respectivas poltronas. Alguns caíram ao chão e a Comissária sequer conseguia alcançar o telefone para pedir calma pelo alto-falante da nave.

Nesse momento, aquele rapaz pálido que aparentava fragilidade e, através de seus óculos de grau se dedicava a leitura, jogou para o lado o livro, levantou-se e, como um gigante, bradou para todos que se mantivessem calmos, evitassem buscar as suas própria poltronas e a se sentarem naquelas mais próximas, ajudou a Comissária na condução de alguns e a levantar do chão os que caíram e a cuidar dos seus machucados, para, após tudo estar em segurança, voltar ao seu lugar, abrir novamente o seu livro e dar continuidade à sua leitura.

Depois de tudo normalizado, o Comandante, lamentando a imprevisibilidade do fato, ofereceu as suas explicações e garantiu que nenhuma turbulência a mais ocorreria até a aterrissagem da aeronave no seu destino.

Passados alguns minutos, o moço do violão voltou a dedilhá-lo e cantar e todos voltaram a se reunir junto a ele, enquanto o rapaz pálido e de óculos, permanecia, sem ser alvo de qualquer atenção, a ler o seu espesso livro.      
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Todos os debatedores daquele grupo permaneceram por alguns segundos estáticos e, o narrador do fato concluiu, então, seu pensamento, dizendo que ambos os rapazes, o do violão e o do livro, demonstraram possuir uma mesma qualidade que, sem dúvida, seria, no seu entender, uma das mais importantes e indispensáveis a um líder, concitando  todos a identificá-la, esclarecendo, ainda, ser ela uma qualidade tão sábia, que devem possuí-la todas as pessoas que, mesmo sem estarexercendo liderança, possam, a qualquer tempo, em um meio qualquer,  entrar em evidência.


Agora, narrado e, brevemente, comentado o ocorrido naquele voo, cumpre-me concitar , também, o leitor a identificar tal qualidade, para, querendo, desenvolvê-la em si mesmo.